III Congresso Internacional Karl Marx - A Revolução de Outubro | III International Karl Marx Conference - The October Revolution

2 a 4 de Novembro 2017 | 2-4 November, 2017

5ª Feira - 2 de Novembro

Auditório 1

Sala Multiusos 2

9h00

Sessão de Abertura

  • Professor Doutor Francisco Caramelo (Diretor da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa)
  • Professor Doutor Pedro Aires Oliveira (Presidente IHC - NOVA FCSH)
  • Professor Doutor Fernando Rosas (Comissão Organizadora)

9h30-11h00

A Rússia revolucionária / Revolutionary Russia E Contra a Revolução / Against the Revolution [moderação: Ricardo Noronha]

  • Painel 1 e 2
  • Esta proposta de trabalho percorrerá um conjunto articulado de situações históricas e políticas que pode contribuir para desvelar, a partir da história do tempo presente, elementos históricos e teóricos que possam explicar, cem anos depois, o enigma da Revolução de Outubro. Analisaremos as principais características da formação social russa e a quadra histórica em que se desenvolveram ações políticas que impactaram na história russa, possibilitando a transformação dessa sociedade, ao tempo em que modificaram as características de poder e a forma pela qual o Estado russo passou a ter novas características institucionais. É de grande importância investigar o papel da autocracia czarista, suas especificidades institucionais, sua forma de exercer a política e as opções de enfrentamento político no processo histórico em que se confirmou o avanço dos revolucionários, com a consequente tomada do poder de Estado. Procuraremos entender em que cenário histórico-político ocorreram as movimentações revolucionárias e como contribuíram para modificar a geopolítica na região, no contexto da primeira guerra mundial. Após os acontecimentos da revolução de fevereiro e a vitória bolchevique em outubro, como a luta de classes se desenvolveu, radicalizou-se e transformou-se em guerra civil após os movimentos revolucionários terem tomado o poder político e disseminado a organização dos conselhos como instrumento revolucionário de manutenção e aperfeiçoamento desse poder de classe. Quais foram as principais questões que incidiram para que se desenvolvesse, na luta política, a partir do Estado, processos de perseguição política e ações de governo que contribuíram para a eliminação física daqueles que lutavam para que a revolução percorresse outros caminhos. Como essa particularidade, ou característica, puderam contribuir no sentido do desvelamento de uma forma política autoritária que foi, paulatinamente, modificando a natureza do Estado Soviético. Como o embate político, entre os bolcheviques, desenvolveu um conjunto de ações que constituíram novas formas de se exercer a militância social e como isso permitiu uma nova elaboração teórica, tendo como ambiente central o debate no Partido Bolchevique e a prática institucional do Estado Soviético. Passados quase cem anos da revolução de outubro de 1917, precisamos aprofundar a pesquisa sobre eixos fundamentais que possam permitir o exame acurado desse impactante fenômeno político e social.

    As contradições da formação social russa e a revolução de OutubroMilton PinheiroUniversidade da Bahia
  • O Integralismo Lusitano é um produto típico das sociedades periféricas do Capitalismo europeu, que adaptou as ideias das elites europeias do século XIX. Foi um movimento político que estruturou social, cultural e ideologicamente a direita reaccionária e moderna do pós-I Guerra. É caracterizado por um irracionalismo filosófico, um neo-tomismo Católico e uma reacção profundamente tradicionalista ao presente. Conforme assinala António Costa Pinto, na sua obra Os Camisas Azuis, com o pós-guerra e os receios provocados pela Revolução Soviética assiste-se a um processo de fascização no projecto Integralista. Estes abandonam o desejo restauracionista em detrimento de um regime corporativo e autoritário à imagem dos regimes de Mussolini e Primo de Rivera. Passam doravante a apresentar-se como a única solução capaz de salvar e regenerar a Nação. O bolchevismo e o bolchevique são apresentados como o seu inimigo número um, como tal desejavam expurgar a socidade daquilo a que João Ameal - historiador e integralista - caracterizava como "a derradeira aberração, a monstruisidade típica deste século, que em si condensa todas as guerras íntimas, todos os venenos de decomposição moral e de ruína cívica" (LOFF, Manuel - "O Nosso Século é Fascista!" O Mundo visto por Salazar e Franco, Porto: Campo das Letras, 2008, p.187). O objectivo desta comunicação assenta na análise da importância que a revolução soviética e o anticomunismo tiveram na evolução do pensamento integralista, como estes constituíram um elemento central da sua argumentação e de que formam funcionaram como um elemento agregador dos vários projetos protofascistas e fascistas portugueses. Ao mesmo tempo, ressaltará a forma como o bolchevismo e o bolchevique eram retratados na literatura integralista, com o intuito de descredibilizar a ideologia e a figura politica do comunista no debate politico português no pós-I Guerra.

    "O Comunismo - O Inimigo nº1": A Revolução Soviética e o Integralismo LusitanoJoão FreitasUniversidade do Porto
  • Estado Novo e anticomunismoFernando RosasIHC - NOVA FCSH
11h15-12h45

O Estado e a Revolução / The State and the Revolution [moderação: João Santos]

  • Painel 3
  • A nossa proposta pretende refletir acerca das características da forma soviética de organização do poder político e a sua aparente validade analítica global para os processos revolucionários anticapitalistas do século XX. Aprofundando a linha de análise sugerida por Pierre Broue (1982), analisaremos as experiências russa, alemã e espanhola, bem como diversos processos da década de 1970 (Chile, Argentina, Portugal) a partir de uma perspetiva comparada e destacando os elementos comuns dos órgãos de democracia direta surgidos em diversos processos revolucionários.

    A forma Soviet como elemento caracterizador das revoluções socialistas - uma abordagem globalMiguel PérezIHC-FCSH/NOVA
  • A pesquisa analisa a dualidade de poderes que se instalou na Rússia a partir da insurreição de 1905, com o desenvolvimento dos sovietes, até o final de 1917. Verifica a relação entre o governo revolucionário, o exército revolucionário e o partido bolchevique, compreendendo em que medida o fortalecimento dos conselhos de soldados operários e camponeses enfraqueceu o poder da Duma, do czar e do governo provisório, contribuindo para a tomada do poder no final de 1917 e para a consolidação da revolução russa. Lênin, em "Sobre a dualidade de Poderes", escreve que a dualidade de poderes consiste na existência de um outro governo, os sovietes de deputados operários e soldados, ao lado do Governo Provisório, que é um governo da burguesia. Nesse sentido, o governo revolucionário é um poder paralelo, organizado antes da tomada do poder, que deve mobilizar o povo e organizar sua atividade revolucionária. O exército revolucionário russo foi formado a partir das revoltas e insurreições populares, combinadas com a passagem de uma boa parte dos soldados para a revolução. Segundo Lênin, ocorreram atos de desobediência, protestos de oficiais, explosões entre os reservistas, agitação entre os soldados e mesmo a recusa dos soldados em disparar contra os trabalhadores. Com o início da Primeira Guerra Mundial, as armas passam às mãos do povo, assim como ocorreu durante a guerra entre a França e a Prússia e a reativação e ampliação da Guarda Nacional Francesa, que permitiram o desencadeamento da Comuna de Paris de 1871. A pesquisa verifica a participação do partido bolchevique na construção e desenvolvimento dos conselhos e seus esforços para a formação do exército revolucionário na Rússia de 1905 a 1917. Analisa como se estabeleceu a relação entre a Duma, os sovietes e os bolcheviques, verificando o comportamento dos trabalhadores frente às eleições para a Duma. A partir desses estudos, busca compreender os impactos e as contribuições da teoria da dualidade de poder desenvolvida por Lênin aos movimentos revolucionários da atualidade, verificando em que medida a experiência revolucionária russa e a teoria de Lênin questionam a democracia burguesa e sinalizam para o reforço das ações de boicote às suas instituições e, em especial, às eleições para o parlamento e para o Executivo.

    A revolução russa e o duplo poder: Partido, Governo e exército revolucionário de 1905 a 1917Camila ValleUniversidade Federal Fluminense
  • Despite the allusiveness of my paper's title to Leon Trotsky's essay The lessons of October (1924), what I will try to do is threefold: a) lay down some thoughts concerning the typology of revolutionary processes; b) highlight – according to the paradigmatic shift in Lenin's thought from The State and Revolution (1917) to Left-Wing Communism: An Infantile Disorder (1920) – what they depend on; c) provide some tentative considerations on how to reenact them taking off from current socio-political conditions and events. Concerning the first, political-theoretical, point, I will provide a typology of revolutionary processes taking into account the irreducibility of the discursive fields and how these discursive fields determine every time differently what can be considered as revolutionary event amidst any of those discourses. Concerning the second, philosophical, point, I intend to clarify how the Hegelian notions of necessity, spontaneity, and totality in the amount that they dominated The State and Revolution needed to be recast and reinterpreted in the course of a revolution that – not alike the French Revolution – superseded the (Marxian) theoretical framework that laid the groundwork upon which it would be conceptualized. For the third, diagnostical, point I will concentrate primarily on the case of Greek Left politics after the signing of the third memorandum of understanding and secondarily on some very tentative considerations concerning the stractural role of identity politics as sole ideological corner-stone of action and whose failure was proven uncontestedly by the last USA-presidential candidacy. Seen this way, it is not my intention to provide three separate domains of reflection over the October Revolution, but rather to try and derive some lessons from this particular revolution as a Communist one. By the latter I mean that – should there be any legacy of this event – this ought to be sought in the fact that it was a virtually holistic one in a sense that it aimed to manifest a total intervention cutting across every existing discourse. This political-theoretical aspect is, as I argue, the practical-theoretical consequence of The State and Revolution, that conclusively accomplished what was laid down since What is to be done? (1092). In its turn, this was the theoretical articulation of the diagnosis that the Political is being entangled to a Social that in its turn is not being determined by a sole category, but is an amalgam, a synthesis, a communist – understood as communal in the spirit of Jean-Luc Nancy (cf. La comparution, 1991) – construction that knows no outside. Seen this way and if revolutionary processes want to be successful, they are doomed – as collective events according to the typology I provide in the first part of the paper – to have to take into account every possible way of production of the subjects that drive them, as well as the discourses and imaginaries that determine them. The latter consists in finally putting aside the substantialist and particularist identity politics in favour of holistic, collective strategies that acknowledge the necessity of communist – this time according to Jodi Dean's clarification of this term (cf. The Communist Horizon, 2012) – politics, i.e. by realizing the necessity to take every time into account collectively, every one of those was of the subject's production and avoid privileging one over the other.

    October LessonsThomas TeliosUniversity of Saint Gallen
  • Tanto a Oposição de Esquerda como, posteriormente, a Oposição Unificada trotsko-zinovievista reclamaram sempre para si próprias a herança do leninismo. No entanto, as duas oposições referiram-se geralmente a um Lenine hipotético e ao que ele teria feito se fosse confrontado com o estalinismo ascendente. A hipótese baseou-se, muitas vezes com argumentos legítimos, no que foram até aí o pensamento e a acção de Lenine. Curiosamente, a mesma hipótese ignora o que Lenine fez nos últimos meses de vida activa, durante aquilo que Moshe Lewin designou como o seu "último combate". O embaraço das oposições sobre esse episódio histórico fundamental não resultava apenas do papel que Zinoviev e Kamenev tinham desempenhado nesses meses como membros do triunvirato com Estaline; e tão pouco resultava da inicial insensibilidade de Trotsky sobre a importância da questão georgiana ou da inicial anuência de Trotsky às démarches para silenciar o "Testamento de Lenine". Ele resultava sobretudo prioridades da luta política em curso. É que Lenine, no seu "último combate", suscitava, a propósito da Geórgia, uma série de questões sobre as nacionalidades em geral; a propósito destas, uma série de outras questões sobre a planificação, sobre a oportunidade de criar a URSS e sobre o próprio carácter socialista da revolução, e suscitava-as em termos substancialmente diferentes, de forma mais rica, mais complexa e mais precoce do que souberam fazê-lo as oposições. A reivindicação de Lenine pelas duas oposições é acertada em termos gerais, porque ele foi, de facto, o primeiro oposicionista de esquerda. Mas a oposição que ele esboçava até Março de 1923 era bem diferente daquelas que vieram a criar-se.

    Lenine, precursor da Oposição de EsquerdaAntónio LouçãIHC- NOVA FCSH

A Revolução e a Questão Nacional / The Revolution and the National Question [moderação: Rui Lopes]

  • Painel 4
  • A Chinese front in Comintern strategy was opened after the Second Congress of 1920 with a special attention to the "National Question". Indeed, Comintern not only contributed to founding the Chinese Communist Party, but it also involved the pre-existing Chinese Nationalist Party (Guomindang) of Sun Yat-sen, that might represent the Chinese local revolutionary tradition. The description of Sun as an agrarian reformer, likened to the Russian narodniki, gave Lenin the hope that Guomindang may be inoculated with Marxist-Leninist ideas. Indeed, a complete reorganization of the party occurred in 1924 with the First National Congress. One of the major new points introduced was the reference to the masses as a leverage of political action and struggle for power. The belief in the "people" was not unknown to Nationalists, but it significantly changed in terms of organization and control of popular associations. During 1924 and 1925, Nationalist leaders like Liao Zhongkai proposed innovative regulations for traditional civil corps and the management of peasant associations in the zone controlled by the Nationalists, the Guangdong province. Also, clashes with local groups of Guomindang supporters occurred over such a change of course. The convenience for Comintern commissioners in sharing knowledge laid in the fact that the development of mass organizations was thought to favor Chinese Communists. From the beginning, it seemed clear that a struggle between Communists and Nationalists could not be avoided in the end. Beside these experiments, the "mass strategy" also aroused a theoretical debate. In part, this debate was constrained by incidental necessities. Sun Yat-sen wanted to carry on the collaboration with the Soviet Union, but he also firmly stated the differences with Russia and the inapplicability of socialist theories to China and to its "hypocolonial" status. In part, the rights of the people had to be reconsidered in line with the latest mistrust of Sun for Western democracies system. In fact, the elections of 1912 had ended up with the coup d'etat of Yuan Shikai. Even after the death of Sun Yat-sen in 1925, the theoretical debate and the practical perspective were complementary. The Movement of May Thirtieth showed the possibilities of mass insurrections, but it gave results judged unsatisfactory. A group of "right-wing" Nationalists perceived the threat posed by Communists and argued for a more passive role of the masses. Their formal position in the new society, the value of their original contribution and the degree of their active/passive actions in the revolutionary process were considerations that affected the Nationalist state after 1928 and the Communist state after 1949. This way, this revolutionary debate of the 1920s became a historically relevant juncture of a multifaceted problem: the way Chinese statesman should address people as a feature typical of twentieth-century modernity.

    To the masses: the October Revolution and the shaping of Chinese party-citizen modern relationship during the 1920sLorenzo M. CapisaniUniversità Cattolica del Sacro Cuore (Milano)
  • The territory of Latvia was divided between two empires for the largest part of the First World War (1915-1918). Germany crossed Russian borders and entered Latvia in spring 1915, nearly occupying its biggest city Riga and opening gates to the capital Petrograd. In Summer 1915 Russia allowed voluntary Latvian Riflemen units to be formed within the Russian Imperial Army, in order to defend the country. Eight Latvian Riflemen battalions (regiments – from Autumn 1916) had both a will and skill to fight, and the Latvian society looked on them as the National heroes that would liberate the country from Germans. They fought several large battles on the Northern front near Riga suffering heavy losses but obtaining only negligible success. The Russian Revolution 1917 in Latvia aroused great hopes that Germans would be defeated once for all. However, the Latvian Riflemen were not so keen to fight anymore. The new political and social freedom let politics and propaganda into the army and Latvian Riflemen were addressed both by the Left and the Right. However, the Lefties – Bolsheviks were far more active and their demands were more radical. They were able to obtain the support of the Riflemen and convert them to their belief eventually. Majority of the Latvian Riflemen gradually turned into the supporters of Bolshevik regime remaining nationalists within their hearts in the meantime. The topic discusses the transformation of the Latvian Riflemen from the National Heroes to the Lenin's guards.

    From National Heroes to the Lenin's guards: Latvian Riflemen between February and October 1917Jānis TomaševskisLatvia War Museum
14h00-15h30

[moderação: José Neves]

  • The Life and Death of the Russian RevolutionYuri Slezkine (University of California, Berkeley)

16h00-17h30

A Revolução Europeia /The European Revolution [moderação: Luís Trindade]

  • Painel 6
  • The year 1917 saw the outbreak of a wave of unrest across the European continent, even in countries not directly involved in the Great War as in the case of Spain. From Lisbon to Petrograd, the people took the streets to protest against the harsh discipline and difficult living conditions imposed by the war. These riots, strikes and revolutions, which had a significant participation of workers, were the beginning of one of the most powerful insurrectional cycles of the Twentieth century. This unprecedented mobilization was not only the result of the conditions created by the war, but also of long duration changes in the social composition of the working class and its urban distribution. Our paper aims to propose a comparative analysis of mobilization in Europe during 1917, highlighting both the common features and the main differences, and offering a comprehensive interpretation of the transnational character of the workers' unrest. The essay will be primarily based on the extensive literature on labour mobilization during the First World War in the main European countries, complemented with original research based on Spanish sources. Moreover, we will pay special attention to structural problems, such as changes in the economic role of the state, the growth of unskilled and semi-skilled workers, and the increasing urban segregation of the working class in European cities. In conclusion, we want to place the Russian Revolution in the context of the great wave of labour rebellion in Europe during 1917, noting that despite its exceptional result, some of its main elements must be understood as part of structural transformations in capitalism and the working class across Europe.

    1917 in European perspective: from Lisbon to PetrogradJuan Cristóbal Marinello BonnefoyUniversidat Autónoma de Barcelona
  • The tragic outcome of the Berlin insurrection of January 1919 would have a long lasting effect on world history, revealing the many obstacles standing in the way of the revolutionary wave unleashed on the wake of the October Revolution. While its plot and fundamental characteristics are well known, some of its features have been overshadowed by its inscription in canonical versions of the history of the worker's movement, which tend to depict the Spartakists as twin brothers of the Bolsheviks and Rosa Luxembourg as the German counterpart to Lenin. An essay written by Furio Jesi in 1969 (Spartacus. Simbologia della rivolta, posthumously published in 2000 under the care of Andrea Cavalletti) allows for a different reading of that event, highlighting the difference between revolution and revolt as one related to contrasting experiences of time, while calling for an understanding of the role of myth in the formation of class consciousness. Establishing a critical dialogue with this text and following some of the directions it points to, this paper will bring together an analysis of the slave revolt of antiquity with its resonance throughout modernity, drawing the contours of what Walter Benjamin called 'the tradition of the oppressed', by signalling some of the ways in which the past can be activated during the course of class struggle. Addressing such items as George Sorel's concept of myth and Rosa Luxembourg's writings on general strikes, the programme of the Spartakusbund and the accomplishments and shortcomings of Linkscommunismus, analysis of class composition in Germany during World War I and connections between slavery and wage labour on the longue durée, it seeks to inscribe the events of 1919 within a genealogy of what Karl Heinz-Roth called 'the other Worker's movement'.

    The myth of Spartacus and the tradition of the oppressedRicardo NoronhaIHC-FCSH/NOVA
  • Le terme de Révolution mondiale recoupe mes préoccupations de recherche autour des origines et des premières années de l'Internationale communiste. Même si la naissance de celle-ci a un caractère tactique et circonstanciel en mas 1919, elle s'inscrit dans le processus de la révolution pensée par les bolcheviks. Les relations entre les événements russes et les autres mouvements révolutionnaires ne sont ni linéaires ni immédiates. Le projet de révolutionnaire russe se nourrit pendant plusieurs années tout à la fois de l'espérance de la révolution mondiale et de son attente. Cela guide en partie la création de l'Internationale communiste envisagée comme un parti mondial de la révolution. Pour autant ce rêve, plusieurs fois déçu est également réactivé à l'occasion d'autres épisodes de 1918 à 1923.
    L'horizon de la révolution mondial est constitutif de la perspective révolutionnaire russe au long de la guerre civile et du communisme de guerre. Il inspire la formation des partis communistes et de l'Internationale en 1920. Ensuite le repli de l'espérance révolutionnaire sur le seul terrain russe subordonne la perspective internationale et la rend subalterne à l'égard de l'expérience russe érigée en modèle international. Se dessinent alors par différenciation des tactiques pour inscrire les mouvements communistes dans la durée, les zones du monde colonial mais aussi le monde capitaliste développé, après l'échec de la révolution allemande. De fait la bolchevisation, après la mort de Lénine, exprime la tentative de mondialiser l'organisation communiste alors même que la révolution russe est désormais dissociée de la perspective de la révolution mondiale.

    L'Internationale Communiste et la révolution mondialeSerge WolikowMaison des Sciences de l'Homme, Dijon/Fondation Gabriel Peri

Artes e Letras: o impacto cultural da Revolução Russa / Arts and Literaturare: the cultural impact of the Russian Revolution [moderação: José Neves]

  • Painel 7
  • Nos primeiros anos do século XX, a Rússia atravessou uma enorme efervescência social e política, prenúncio da revolução de 1917, que se reflectiu na vida artística e cultural, e que viria a dar origem a uma vanguarda que condicionaria a cultura do seu tempo. A Revolução Russa de 1917 viu nas artes um veículo privilegiado para disseminar a nova ideologia, daí que o regime soviético se apressasse a assumir o monopólio das artes, convidando os artistas da vanguarda a participar, utilizando as suas obras como propaganda política. Logo no primeiro ano da revolução, Lenine tomou posição no que concerne às artes e entre 1918 e 1929 o seu Comissário para o Esclarecimento, Anatoly Lunacharsky, tratou de colocar em prática diretivas cultural-artísticas sobre as quais os cidadãos se identificassem, tendo acabado por tornar a arte deste período fortemente politizada, a agitprop. No que concerne à dança, cedo o novo governo soviético percebeu a paixão nacional pela arte de Terpsícore, daí se ter tratado de "reconfigurar" o reportório do Bolshoi e do Mariinsky segundo os ideiais da revolução, tornando o bailado num veículo de propaganda política. De arte elitista rapidamente passou a objecto popular de orgulho nacional reorientando-se o reportório clássico conotado com a Rússia czarista, para conteúdos mais populares, de cunho fortemente patriótico, que mostravam o carácter heróico da U.R.S.S. e da nova classe proletária, facilmente legíveis pelas massas operárias.

    O bailado vermelho da URSSMaria João CastroCHAM-FCSH/NOVA
  • In the historiography of Soviet music of the 1920s the vogue for so-called 'machine music' – music inspired by mechanical, industrial and urban rhythms and sounds – has sometimes been dismissed as a brief episode in the dissemination of Futurist themes in a general avant-garde context. It can be argued, nonetheless, that certain formal and stylistic traits associated with 'machine music' (such as repetitiveness, loudness, multi-layered and cumulative textures, timbral stridency, non-developmental form, montage-like juxtapositions and an inflexible motoric quality of movement) pervade much of the music of the period beyond any immediate representational purport, thus underscoring the significance of the machine as a powerful stimulus for musical creativity in the post-revolutionary era – incidentally, a state of affairs that could be said to foreshadow some aspects of our present music-technological environment. In this paper, I address the network of cultural and semantic threads running through the 'machine music' topic, with special consideration given to their socio-political implications. Consideration will be given not only to the Futurist roots of the machine myth but also to the aesthetic impact of biopolitical utopias and experiments centred on the cult of the athletic body, such as Aleksandr Bogdanov's theory of organisation, or 'tectology', Meyerhold's 'biomechanics' and Nikolai Foregger's 'dances of machines', with emphasis on the anti-psychologistic, dynamic physicality typical of the theatrical arts of the 1920s. In particular, I explore the links between 'machine music', the spread of jazz in the USSR, and the global trend towards a rhetoric of 'hardness', focussing on selected works by Aleksandr Mosolov and Vladimir Deshevov from the years 1926-27, against the background of contemporary developments in Western music. Finally, I discuss the paradoxical connection between music-mechanical topoi and the legacy of Stravinskian neo-primitivism, in terms of the potential clash between a Dionysian aesthetics of ritualistic violence, on the one hand, and a modernist-socialist celebration of mechanistic-instrumental rationality, on the other, in order to bring out the links between machine imagery and the musical construction/deconstruction of subjectivity in Soviet modernity.

    On the cultural meaning of 'machine music' in the early Soviet context: the cases of Aleksandr Mosolov and Vladimir DeshevovPaulo Ferreira de CastroCESEM-FCSH/UNL
18h00

Mesa-redonda / Round Table [moderação: Rui Lopes]

Apresentação da exposição virtual a cargo de Alfredo Caldeira / Presentation of an on-line exhibition by Alfredo Caldeira

  • A questão nacional: das teses de Estaline ao mundo pós-colonial / The national question: from Stalin's thesis to the postcolonial worldPaula Meneses (CES/UC) José Neves (IHC-FCSH/NOVA) Diana Andringa (CES/UC)

6ª Feira - 3 de Novembro

Auditório 1

Sala Multiusos 2

9h30-11h00

A Ciência na União Soviética / Science in the Soviet Union [moderação: Fátima Nunes]

  • Painel 8
  • No ano de 1931 (centenário do nascimento de Maxwell, da descoberta do fenómeno da indução magnética por Faraday e da fundação da British Association for the Advancement of Science), entre 29 de Junho e 4 de Julho, no Science Museum em Londres, teve lugar o II Congresso Internacional de História da Ciência e da Tecnologia, um congresso que reuniu umas dezenas de historiadores da ciência e estava fadado, no espírito do "valor humanista da ciência» cunhado por George Sarton, a mostrar como o pensamento científico, desenvolvido sem grandes rupturas, era um pilar fundamental da história cultural da civilização ocidental. Entre almoços e jantares, com visitas a Greenwich, Cambridge e Oxford, tudo deveria ter acontecido dentro da normalidade habitual que estava prevista. Contudo, poucas semanas antes do início do congresso, a comissão organizadora foi informada que uma importante delegação soviética se inscrevera e participaria nos seus trabalhos com várias comunicações. Pela primeira vez uma delegação organizada de cientistas soviéticos apresentava-se num congresso científico internacional. A expectativa e a agitação de ambos os lados eram grandes, as repercussões desta visita também não foram menores. Na terça-feira dia 30 de junho de 1931, o Reino Unido tomava conhecimento, através do Manchester Guardian, que "o governo russo vai ter uma participação importante no Congresso Internacional de História da Ciência e da Tecnologia» e a notícia era ainda mais extraordinária se se tivesse em conta que a própria delegação soviética só soubera da sua organização e participação uma semana antes. Parecia a Moscovo que este congresso em Londres era o palco adequado para uma operação de propaganda - dar a conhecer ao mundo ocidental as principais conquistas levadas a cabo pela União Soviética no plano dos desenvolvimentos técnico e científico - o que obrigou a uma campanha organizativa de grande eficácia e rapidez: num curto intervalo de tempo havia que juntar cientistas de nomeada e políticos com projecção. A delegação soviética, cuidadosamente organizada, era constituida por Nicolas Boukharine, chefe da delegação, Abraham Ioffe, físico, Modeste Rubinstein, economista, Boris Zavadovsky, neurofisiologista, Arnost Kolman, matemático e filósofo, Nicolas Vavilov, botânico e geneticista, Vladimiro Mitkevich, físico, Boris Hessen, físico e filósofo. Nesta comunicação, além de apresentar o contexto geral que presidiu à formação da delegação soviética e as linhas gerais das exposições feitas pelos cientistas soviéticos, pretende-se também analisar os efeitos, e influências particulares, das propostas soviéticas nos assistentes do congresso e consequentes ecos futuros no meio científico ocidental.

    A Primeira visita de uma delegação organizada de cientistas soviéticos ao ocidenteAugusto Fitas c/ Rui BorgesUniversidade de Évora
  • Das várias exposições apresentadas pela delegação soviética ao II Congresso Internacional de História da Ciência e da Tecnologia, lidas e discutidas na manhã do dia 4 de Julho de 1931, aquelas que maior impacto provocaram foram a de Nicolas Boukharine e a de Boris Hessen. É na importância desta última, Raízes sociais e económicas dos "Principia" de Newton, e a sua influência determinante em vários autores de Histrória da Ciência que se centra o objecto desta comunição. Boris Hessen, físico e filósofo soviético, propôs uma análise da obra do grande fundador da mecânica clássica, Isaac Newton, como o produto do contexto socio-económico da Inglaterra da sua época ─ a obra do autor dos Principia como um fruto da ascensão da classe burguesa na Inglaterra do século XVII. Nas teses de Hessen, a novidade estava no apontar das causas históricas - os factores sociais, económicos, políticos e religiosos - como determinantes para que esse acontecimento científico tivesse ocorrido num local e num tempo bem precisos, independentemente dos "mecanismos próprios e internos" da construção científica. As descobertas de Newton tinham que ser entendidas como respostas aos interesses da burguesia inglesa da época e não como criações de um espírito genial isolado que, mercê dos seus dotes, era o grande responsável por esses avanços no conhecimento físico-matemático. Este trabalho de Hessen foi a primeira aplicação do materialismo histórico aos estudos de história da ciência. As teses de Hessen sobre Newton, expostas bem no coração da pátria de Newton, além da audácia que envolveu a sua exposição, afectaram e influenciaram fortemente muitos historiadores e cientistas de vários países. Em primeiro lugar deve referir-se o seu efeito prosélito num grupo de cientistas inglêses que se evidenciaram em trabalhos de História da Ciência, como foram os casos de Joseph Needham e Jonh D. Bernal. Contudo os exemplos maiores desta influência são os casos de George N. Clark - participante atento deste congresso que escreveu em 1936 um ensaio, Social and economic aspects of science, e Robert K. Merton com o seu trabalho Ciência, Tecnologia e Sociedade na Inglaterra do século XVII. Indubitavelmente que a tese de Hessen, apresentado em Londres no ano de 1931, foi relevante (...muito influente) e controversa na História da Ciência contemporânea de tal modo que um historiador americano escreveu: "A perenidade do artigo de Boris Hessen na história da ciência pode ser exemplificado pelo facto de que ainda hoje as revistas científicas de referência continuam a citá-lo. Arnold Thackray (...) designou o trabalho de Hessen como "definidor de um paradigma de análise", citando a influência da sua ampla difusão na Inglaterra e na América do Norte".

    Boris Hessen e as suas contribuições para a História da CiênciaAugusto Fitas c/ Rui BorgesUniversidade de Évora
  • Embora pouco conhecido no contexto da revolução russa, Boris Hessen desempenhou um importante papel na física, filosofia e historiografia da ciência na União Soviética. O seu trabalho "As raízes sociais e económicas dos principia de Newton", apresentado em 1931 no II Congresso Internacional de História da Ciência e da Tecnologia em Londres, estabeleceu um novo paradigma de análise da história da ciência e é considerado por muitos como um dos trabalhos fundadores do método "externalista". Hessen tinha formação em física e matemática e estava em contacto com alguns dos mais brilhantes físicos soviéticos da época (como Vavilov, Ioffe, Tamm, Frank ou Landau). Antes da sua visita a Londres, teve uma intervenção activa nos debates em torno da filosofia da ciência na União Soviética, defendendo um papel para a dialéctica materialista nas ciências naturais. Hessen participou em dois debates filosóficos: primeiro uma longa polémica entre "mecanicistas" e "dialectistas" (1924-1929) e finalmente entre dialectistas e "bolchevizadores" da ciência (1929-1930). Os mecanicistas defendiam o método científico tradicional contra supostas interferências filosóficas e a imposição de "esquemas dialécticos", e adoptavam uma perspectiva reducionista em que o movimento mecânico era visto como a base de todos os fenómenos físicos. O seu mais destacado representante, o físico A. K. Timiriazev, era um feroz opositor da teoria da relatividade. Segundo Timiriazev, Einstein e a sua teoria representavam o idealismo que Ernest Mach tinha introduzido nas ciências físicas e que Lenine tinha veementemente rejeitado. No outro lado da discussão, Boris Hessen e os dialectistas consideravam que a física moderna dava provas de que os princípios do materialismo dialéctico se podiam aplicar à natureza e que os cientistas se deveriam familiarizar com eles para estimular o progresso da ciência. Hessen argumentava que se devia aceitar ou rejeitar a nova física com base na sua capacidade de explicar e prever fenómenos – e a partir daí fazer os ajustes necessários ao materialismo filosófico – e não com base em preconceitos filosóficos. Após derrotarem os mecanicistas, Hessen e companheiros seriam em breve confrontados com um adversário mais temível. Um grupo de jovens "bolchevizadores" da filosofia apoiados por Estaline, defendiam que a filosofia soviética sofria de desvios "formalistas", preocupada com questões teóricas menores em vez das tarefas práticas que o Partido enfrentava no esforço de rápida colectivização e industrialização do Plano Quinquenal. Hessen e os dialectistas foram atacados por não atenderem a estas questões práticas, por falta de auto-crítica ou por não criticarem o trotskysmo. Nesta comunicação apresentaremos uma perspectiva geral destes debates e dos seus resultados assim como uma análise do contributo de Hessen.

    Boris Hessen e os debates soviéticos em torno da filosofia da ciênciaRui Borges c/ Augusto FitasUniversidade de Évora

Imagens em movimento: a Revolução Russa no Cinema / Moving images: the Russian Revolution on Film [moderação: Luís Trindade]

  • Painel 9
  • El cine se ha convertido en una fuente esencial de la Historia y, a la vez, nos ha permitido establecer una nueva relación con el pasado. En este caso concreto, esta comunicación buscar analizar las claves del filme El almirante, en el que su discurso nos permite observar las nuevas visiones que el nacionalismo ruso pretende llevar a cabo de la Revolución de 1917y sus consecuencias, en esta ocasión, desde una apología de la actuación de los Ejército blancos durante la guerra civil. El cine se utiliza aquí, por ello, no solo como una aparente y fiel reconstrucción de los hechos sino como un intento de reescribir la Historia de la Revolución desde otro punto de vista (uno no comunista) al servicio de la Rusia actual. Esta revisión aspira a volver a instaurar, desde una cinematografía nacional, los mitos fundamentales del nacionalismo ruso (patria, valores y honor) frente al legado revolucionario soviético. De hecho, se muestra una caracterización muy negativa de la herencia comunista, como si fuese una página equivocada, un accidente, dentro la gran Historia de Rusia (como le sucedería a la historiografía alemana en la posguerra sobre el nazismo). No hay duda de que aquí, como desde otros medios, se busca sustituir el imaginario de un fracaso colectivo (el fin de la era comunista y sus logros) por otro falsificado e idealizado (la Rusia zarista), sin asumir el complejo drama vivido, ni tampoco valorar las posibles aportaciones que pudo hacer la Revolución de 1917 en la constitución de la Rusia moderna, como si se quisiese negar su propia trascendencia y; así mismo, que la actual sociedad rusa no deja de ser heredera de aquella, con su contradicciones, traumas y peligrosa deriva autoritaria.

    La revolución del 17 vista desde el actual nacionalismo ruso: "El Almirante" (2008), de Andrey KravchukIgor Barrenetxea MarañónUniversidad del Pais Vasco
  • El presente trabajo es un ensayo acerca de las revoluciones que se dieron en Rusia en el año 1905 y las de febrero y octubre de 1917 y la visión que la filmografía conmemorativa soviética realizó en diversos aniversarios. Las películas que se analizan son algunas de los reputados directores soviéticos Eisenstein, Pudosvkin y Vasilyev, comparándolas entre sí. Dichas películas son Octubre, El Acorazado Potemkin, El fin de San Petersburgo y Lenin en Octubre. También se analizan dos largometrajes estadounidenses, posteriores en el tiempo, de los directores Passer y Beatty –Stalin y Rojos respectivamente- viendo las semejanzas, y sobre todos, las diferencias entre las películas soviéticas y estadounidenses. En el análisis también se incluye referencias de diversas personalidades de la época revolucionaria que o bien fueron protagonistas o bien espectadores destacados, como son los casos del líder soviético Trotski y el periodista John Reed. Se complementa con el análisis que diversos historiadores, destacando a Eric Hobsbawn y Edward Hallett Carr, hicieron acerca de este gran acontecimiento que marcó el devenir del siglo XX, así como referencias a escritos del Lenin y Gramsci. El objetivo de la comunicación es mostrar cómo en las dos décadas siguientes al triunfo revolucionario de Octubre de 1917, la diversa filmografía conmemorativa soviética realizó diferentes enfoques sobre el mismo acontecimiento, variándolos en función de la coyuntura política que se vivía en la Unión Soviética.

    La Revolución Russa en el cine conmemorativo soviéticoMikel Bueno UrritzelkiUniversidad Pública de Navarra
  • "The Russian avant-garde was the only movement of its kind in which the achievements of women were unquestionably equal to their male colleagues", wrote Hilton Kramer in 1981. In the XIX century, whereas in the West women could only assume a domestic role, in Russia instead women started to choose the artistic vocation, because they were allowed to access to art education (Volkov, 2011). So, when the Revolution began in 1917, the third generation of professional artists was active (Harte, 2009). Many of these were painters, writers, and set designers. Some of them used street art bringing their creation to everyone, illustrated books, designed theatre curtain and costumes for famous actors (Gray, 1986). They travelled a lot, not only in Europe, where they met the most celebrated artists of that period (Landini, 2015). Russian women painters experienced Futurism, Cubism, Suprematism, and Constructivist (Vergine, 2005). These women were a bridge between the Russian folk art, with the refined Byzantine influence, and the Western art (Bowlt and Drutt, 2000). Their powerful vision of reality often influenced the artistic creation of very important male colleagues: it wouldn't be possible to understand the art of Malevic, Larionov, or Tatlin, without this female production (Norman, 1994). Goncharova, Ekster, Udaltsova, and Serebriakova are just the most famous names of a very interesting group of women, that decided to overtake and overcome the academic style before the WWI, and then, in the wake of the Bolshevik Revolution, desired to create a renovated art for a new humankind and world. Because they were women, their action was seen as a double revolution: they were communist revolutionaries, but in addition to this they fought for the dignity of all empowered women (Isaac, 1996). At the beginning, the equality spirit of the Communist movement promoted the full emancipation of women and offered a new type of social behaviour, far from the bourgeois model. Russian women artists found, for some years, the institutional coding of a free lifestyle they had created on their own (Bartley, 2004). The disagreement between the modern movement OSt and the reactionary AchRR, supported by the same Lenin and then by Stalin, completely undermined the efforts to create a common artistic language for the Revolution. The following transformation of the Revolution in a totalitarianism created a stifling climate for many artists, in particular for emancipated women as these painters, in favor of a propagandistic stereotype of woman, as a faithful and submissive companion of man. Some of these survived as artists even during the exile, but others had their life ruined for years, or were killed by the Stalinist purges (Wakamiya, 2009). My research tries to make a reconstruction of this period, focusing on the meaning of the Russian Amazons' life and work during the Revolution age.

    The Russian Amazons and the Bolshevik RevolutionAnna Di Giusto
11h15-13h00

Leituras da Revolução Russa em Portugal / Readings of the Russian Revolution in Portugal [moderação: João Madeira]

  • Painel 10
  • The way the Russian revolution is represented in the publications of Communist Parties and in the writings of their leaders is inseparable from the historical circumstances under which such representations were produced, and from the political strategies and tactics they helped to elaborate. Addressing the case of the PCP, this paper takes as its starting point the PCP's leaders' understandings of the Russian revolution during the early years of the party's existence, which were also the final years of the Portuguese First Republic (1921-26), and the way these representations evolved, as reflected in the work of Bento Gonçalves. It then turns to the writings of Álvaro Cunhal, from his participation in the 6th Congress of the Young Communist International, in 1935, to the eve of the Portuguese "Carnation Revolution" of 1974. The paper assesses the various ways in which Cunhal interpreted the experience of the Russian revolution in relation to the national and to the colonial question, the transition from the democratic to the socialist revolution, and in the way he elaborated the problem of the state in the anti-fascist revolution.

    The Russian revolution in the writings of Álvaro Cunhal (1935-1974)João Arsénio NunesISCTE
  • A revolução de outubro despertou o binómio medo - esperança na sociedade portuguesa. Através do que foram os sentimentos despertados pela revolução, pretende- se analisar a forma como esta é recebida e o processo revolucionário entendido, nas camadas progressistas da sociedade Portuense. Na esquerda portuense ir-se-á analisar o posicionamento dos anarquistas e dos socialistas em relação à revolução, aos seus agentes e ao processo revolucionário. Identificando as consequências desse mesmo posicionamento, expondo as situações de conflito e de quebra, contrapondo a posição patentemente conservadora do movimento socialista e a radicalização e esperança revolucionária dos anarquistas, neste período. A evolução da relação que estes vêm a desenvolver com os grupos de influência bolchevique portugueses [FMP; PCP] é, também, uma das questões que se procura explanar. A revolução de outubro foi um acontecimento fulcral e complexo, com consequências profundas no credo revolucionário dos indivíduos, que compunham o "cérebro" dos movimentos de emancipação do trabalhador que tinham como vanguarda, em Portugal, o movimento anarquista. Todo o debate teórico-prático sobre as direções que o operariado deveria tomar, como guia para a emancipação, serão fruto da influência da revolução e do modelo vitorioso, que esta apresentava perante o restante universo revolucionário. Aprofundando as repercussões complexas da revolução de outubro, no movimento anarquista portuense, propõe-se expor as mutações teórico-práticas que o movimento irá sofrer, mostrando os limites do fenómeno "sovietista" sentido nos primeiros anos subsequentes à revolução e as cisões que este fenómeno e a "tentação da ditadura" irão causar no seio do movimento. Assim, explicar-se-á a degradação das relações entre as esquerdas, o sectarismo e o dogmatismo, crescentes nos comunistas libertários portuenses após 1920.

    O processo revolucionário Russo e a esquerda Portuense (1917-1922)João FélixUniversidade do Porto
  • No quadro do quinto eixo temático, definido em torno da influência mundial da Revolução Russa de 1917, propomo-nos abordar a sua recepção e impacto no movimento operário português, logo em 1917 e nos anos seguintes. O nosso enfoque incidirá concretamente nalguns dos mais destacados sindicalistas portugueses da época que se tornaram adeptos da nova revolução. E que, inspirados por ela, modificaram concepções teóricas e práticas militantes. E se tornaram seus divulgadores em Portugal. As figuras em apreço são Manuel Ribeiro, Henrique Caetano de Sousa, Carlos Rates, José de Sousa e Augusto Machado. Os quatro últimos foram líderes do jovem Partido Comunista Português e visitaram pessoalmente a "Rússia dos Sovietes". Manuel Ribeiro foi o secretário-geral da primeira organização "bolchevista" no país, antecessora do PCP, a Federação Maximalista Portuguesa. Apresentando alguns resultados da investigação que temos em curso, com base em fontes como livros, artigos, entrevistas e cartas destes protagonistas do movimento operário português da sua época, procuraremos abordar as seguintes questões: Como viram então a revolução russa? O que nela os atraiu? E como viram depois o seu posterior destino? No caso de Carlos Rates, por exemplo, já recolhemos documentação que nos permite acompanhar a sua análise do destino da revolução russa até ao final da década de 1950, abarcando ainda o ano de crise de 1956, com o XX Congresso do Partido Comunista da União Soviética e a invasão da Hungria. Outras questões em apreço serão qual a influência da Revolução Russa no percurso militante e ideológico destas figuras históricas, nomeadamente em relação ao Estado e à democracia, em relação à questão agrária portuguesa e aos modelos de reforma agrária, em relação à questão colonial e em relação ao marxismo e à sua divulgação em Portugal.

    Recepção e impacto da Revolução Russa entre fundadores do PCPLuís Carvalho
  • São ainda raros os estudos sobre a geração de intelectuais que a partir de meados da década de 1960, de forma clandestina ou semilegal, acabaria por modernizar o discurso marxista em Portugal. Ao contrário do que sucede noutros países, existe em Portugal uma lacuna historiográfica no que concerne ao estudo do pensamento e da obra de intelectuais marxistas menos catalogáveis e desvinculados das ortodoxias dominantes – de fundo simultaneamente não-dogmático e radical. Propõe-se, portanto, com esta comunicação evidenciar o pensamento de João Martins Pereira – engenheiro, economista, ensaísta e ex-secretário de Estado da Indústria e Tecnologia do IV Governo Provisório – e oferecer uma reflexão sobre a análise que o autor, marxista crítico e heterodoxo, fazia da União Soviética e do conjunto do chamado Socialismo Real. A mesma reflexão terá em conta diferentes períodos: o processo revolucionário russo de 1917; a consolidação do regime soviético; a ascenção do estalinismo; o pós-II Guerra Mundial, a desintegração do socialismo real e o processo de restauração do capitalismo naquelas regiões do mundo. Além destes, ter-se-á em conta a caracterização que o autor fazia do Partido Comunista da União Soviética, do "marxismo oficial" àquele associado (e dos seus ecos em Portugal) e da política económica subjacente àquele Estado e outros satélites.

    A União Soviética e o Socialismo Real em João Martins Pereira (1966-2008)João MoreiraUniversidade de Coimbra

A Revolução em debate / Debating the Revolution [moderação: Ricardo Noronha]

  • Painel 11
  • A revolução soviética de 1917 marcou e marca ainda parte do imaginário e do vocabulário político português. Isto apesar da sua presença explícita, depois do período florescente de 74-75, ter vindo a diminuir. Aos quentes anos do "processo de revolução em curso" seguiu-se o arrefecimento de um "processo de despolitização em curso". É portanto preciso pensar o esquecimento e a invisibilização enquanto processos políticos. Contudo, a memória dessa revolução tem ainda um lugar nas retóricas políticas dominantes: a espaços irrompe enquanto discurso de dramatização/diabolização à direita (analisar-se-ão por isso as intervenções próprias da política do medo dirigida contra a esquerda recentemente); ou surge, no espaço público com um lastro mais pedagógico ("os extremos tocam-se") enquanto coluna de opinião, intervenção académica etc. A partir do conceito de hegemonia de Gramsci e da noção do senso comum enquanto campo de disputa, analisaremos portanto como se pretende moldar a presença latente da ideia de revolução neste mesmo senso comum do ponto de vista anti-revolucionário: da reescrita da sua narrativa à re-significação das experiências vividas, numa retórica que passa por ideias-chave simples e por imagens fortes para burilar dimensões como a revolução-violência, a revolução-utopia, a revolução-engenharia social, a revolução-passado.

    17-17: revolução, hegemonia e memóriaCarlos Carujo
  • A eclosão da Primeira Guerra Mundial faz com que Walter Benjamin rompa com o Movimento da Juventude (Jugendbewegung), ao qual dedicou sua militância durante a juventude, por conta do apoio das principais frações e lideranças deste movimento à Guerra. Para escapar do alistamento compulsório que se estendia a parcelas cada vez mais amplas da população alemã com a derrota iminente da guerra e para tentar reconstruir sua vida após se afastar de alguns de seus principais vínculos sociais e políticos, Benjamin, junto à sua esposa Dora, se exilam na Suíça. Gershom Scholem em seu livro sobre sua amizade com Benjamin, relata que Benjamin nos anos iniciais na Suíça pouco tocava em temas políticos e acontecimentos conjunturais. Entretanto, esse relativo afastamento é deixado de lado com a possibilidade de uma revolução na Alemanha em outubro/novembro de 1918, que o leva também a discutir os eventos que se sucedem na Rússia após a Revolução de Outubro. Simpático ao anarco-socialismo de Landauer durante a juventude, Benjamin passa a discutir a Revolução Russa com interesse cada vez maior, e o tema passa a aparecer em seus textos que ampliam seu escopo de discussão para temas conjunturais mais imediatos, no contexto em que uma onda revolucionária atravessa a Europa. O objetivo do presente estudo é analisar de que forma a Revolução Russa impacta o pensamento de Walter Benjamin, e de que forma, sobretudo a partir de 1924 com seu engajamento em relação ao marxismo, o autor passa a teorizar sobre a revolução. Os textos em que o tema passa a aparecer são diversos, dentre eles alguns escritos de divulgação na Alemanha da discussão literária da Rússia pós-revolução; textos sobre a pedagogia infantil no movimento comunista; além de comentários diversos e extremamente ricos sobre o cotidiano de Moscou e sua conjuntura em seus "Diários de Moscou", escritos durante a estada de Benjamin na cidade entre dezembro de 1926 e janeiro de 1927. Além disso, a Revolução Russa é trabalhada em alguns textos, como o verbete sobre Goethe escrito para a Enciclopédia Soviética, como um acontecimento histórico-mundial fundamental para compreender a própria modernidade. A partir desse processo de teorização sobre a revolução e seus desdobramentos, Benjamin adensará a elaboração de uma filosofia revolucionária da história bastante peculiar, distinta tanto da social-democracia alemã de seu tempo quanto do stalinismo que triunfa na Rússia. Pretendo dividir o presente estudo em 3 partes: a primeira centrada na explicitação dos impactos da revolução (russa, mas também alemã) no pensamento de Benjamin, e suas especificidades histórico-conceituais; a segunda com foco nas relações entre Direito e Estado no processo revolucionário; e por fim uma terceira parte voltada a discutir uma filosofia da história adequada às tarefas revolucionárias do proletariado e dos oprimidos.

    Walter Benjamin e a Revolução Russa de 1917: Os impactos sobre seu pensamento e o processo de teorização da revoluçãoRafael VieiraUniversidade Federal Fluminense
  • La Revolución de Octubre fue un acontecimiento histórico que sin duda marcó el devenir del mundo tal y como lo conocemos, no sólo a una escala local o interna dentro de la Unión Soviética sino que también su modelo revolucionario se exportó en el exterior -siendo susceptible de ser implantado, hibridado o aplicado a otras formas revolucionarias-. En este caso nos centramos en Occidente y más concretamente en Gran Bretaña, por ser esta la cuna de la New Left. Entender la relación de la New Left con la Revolución de Octubre supone tener en cuenta dos fechas o momentos claves en torno a los que pivotar para profundizar en el diálogo que éstas establecen: 1917 por un lado, que es el acontecimiento histórico a estudiar; y por otro 1956, el momento clave interpretativo que marca ideológicamente a la New Left Review. Durante el XX Congreso del PCUS, el famoso discurso secreto de Kruschev y el desencanto con Stalin, además la praxis política de la Unión Soviética distanció y desmitificó la política soviética de las doctrinas de izquierdas occidentales. En este sentido, todos los artificios, tradiciones, héroes, estructuras, modelos etcétera que la Revolución de Octubre trajo consigo desde 1917 y que hasta 1956 se habían mantenido como referentes políticos se fracturan a nivel intelectual en un círculo que llamaríamos la New Left e inician una transición de distanciamiento con respecto a las otras tradiciones políticas de izquierda británicas.

    Teorizando la revolución: la New Left Review (1960-2016)Carlos Navarro GonzálezUniversidad Complutense de Madrid
  • With History and Class Consciousness, his early magnum opus, Lukács claims to conceive the actual experience of the Russian Revolution in the medium of philosophy. By this radicalized Hegelian claim, Lukács actualizes Marx' early programmatic formula according to which philosophy can only be realized by the abolition (Aufhebung) of the proletariat and the proletariat can only be abolished by the realization (Verwirklichung) of philosophy. At the same time, this intensive interconnection of philosophy and politics represents the attempt to interpret the Russian Revolution as legitimate actuality – nay, in this actuality, as critical decision: Since it is precisely the obvious deviation of this Revolution in the face of the scheme of a presumably "orthodox" Marxism that can, from this perspective, be considered as an authentic event. Although Lukács' conception drew somewhat very polemical criticism from the side of the official exponents of the Russian Revolution (which subsequently led Lukács to several rituals of auto-criticism), he nevertheless could be regarded as the maybe genuine philosopher of the October Revolution again and again. It is the aim of the present paper to work out some of the essential aspects of Lukács' early Hegelian-Marxist model of Revolution that, whilst remaining in its philosophical-political radicalism a livre maudit, at least implicitly has become very important for the intellectual reception of the Russian Revolution. The paper hereby especially shall focus on the performative figure according to which for Lukács the event of the Revolution is not just (in any way) philosophically influenced, but must, in a precise meaning, be understood as the "realization of philosophy": This performative figure finds its paradoxical formulation in the concept of the "proletarian perspective". It is – so the thesis of the paper – this intrinsic connection between philosophy and politics that marks the emphatically modern status of this Revolution and its Lukácsian interpretation: Its status as a both political and philosophical event that may be crucial for classical modernism – and thus for a critical understanding of our present.

    The Realization of Philosophy. On Lukács' Hegelian-Marxist conception of the RevolutionGregor SchäferUniversity of Basel
14h00-15h45

Entrevista a Yuri Sletzkine conduzida por José Neves na Sala Multiusos 3

16h00-17h30

O impacto da Revolução Russa no Sul da Europa / The impact of the Russian Revolution in Southern Europe [moderação: Goffredo Adinolfi]

  • Painel 13
  • In the Italian case the greatest immediate effect concerned the military sphere, since the Austro-hungarian army involved on the oriental front could turn to the Italian front, forcing the Italian army to a heavy defeat and a retreat that suddenly seemed unrestrainable. Naturally also the political parties and the public opinion were strongly interested in the Russian events and this was particularly true for the Left parties and movements. Nevertheless, the greatest echoes were heard since the beginning from 1918. Romania that came to knowledge of the Russian events was a Country in wide part occupied by the Austro-hungarian, German and Bulgarian troops. In the oriental part (Moldova) the monarchy and the government risked to be crushed by the presence of the Russian military contingent that began to leave the front withdrawing itself toward East, as it happened on the whole Russian front. This induced the Romanian government to conclude a separate peace with Germany and its allies, exactly as happened at Brest Litovsk with the treaty signed by Lenin's government. The result was paradoxical. The Romanian sovereignty was imposed on Bessarabia, a territory of the Russian empire, in good part lived by Romanians, without the opposition of the Powers of the two coalitions, but against the wish of the local Bolsheviks. It was the prelude of a successful attempt (1919-1921) to lead the revolutionary wave back to reformist canons in the whole new Great Romania. In Bulgaria the "inside front" was shaken from the news coming from Russia. Some turmoil particularly among the peasant world, with the contribution of soldiers tired of the war, lead to the proclamation of an ephemeral Republic in the city of Radomir, dissolved shortly after. After king Ferdinand's abdication in favour of his child Boris III, the monarchy stayed firm but the political framework changed radically with respect to the pre-war context. In fact a strong communist party was constituted (in a Country almost deprived of industrial proletariat) and a very original political experiment was undertaken: the peasant regime. This regime lasted up to 1923, when it was overthrown by a coup d'état.

    The echoes of Russian Revolutions in South-Eastern Europe: Italy, Romania, BulgariaFrancesco GuidaUniversitá di Roma 3
  • A peculiarity of the Greek socialist movement is that the Communist party prevailed almost absolutely over small social-democratic groups from the interwar years up to 1974. This should be attributed, alongside the structure of the working class, to the timing of the emergence of socialist politics: the Socialist Workers' Party was founded in 1918, and it was from the outset under the strong influence of the October Revolution. I will try to present and interpret this influence, which was due, to a great extent, to the aura of the first socialist government in the world. Other important factors include i) the consequences of the low intensity civil war between the Liberal Party and its conservative opponents in 1916-1917, that brought political violence back into the Greek politics and removed any hesitation about resort to revolutionary violence; ii) the Bolshevik politics regarding the agrarian question: struggling for the distribution of the land to the peasants without any compensation proved to be the more efficient way for the socialists to gain influence in the countryside. I will focus on another aspect of the Russian Revolution's impact on the Greek movement that contributed to its communist-ization: the legitimization of anti-nationalist and anti-war politics. Greece experienced a decade of war in 1912-1922 that hurt the popular households and contributed to the decline of their standard of living in the 1910s. The monarchists tried to express and represent the anti-war sentiments of the popular masses, and it was on this basis that they won the elections of 1920. Yet, they continued the war with Turkey in Anatolia until Greece's defeat in 1922. Socialist Workers' Party focused its propaganda in 1920-1922 on stopping the war, both among soldiers in the front and civilians in the Home Front. They attacked fiercely the dominant nationalist ideas, and they tried to politicize popular movements against high food prices and turn them against the prolongation of the war (Volos revolt). After the war was over, they founded associations of "war victims" and war veterans that mobilized for various popular demands using extensively a anti-nationalist discourse. This action constituted a major rupture within radical traditions in Greece. Pre-socialist radicalism fully accepted the "Great Idea" of "liberating the enslaved to the Turks brothers" and criticized the political system for being unable to realize it. In the 1910s many moderate sympathizers of the socialist ideas participated in the governments of the Liberal Party and adopted its nationalist priorities: their identification with a middle-class party left free the political space at the left of the Liberals. However, it was the example of the Bolsheviks that was crucial for the rapid development of militant anti-nationalist and anti-war views in the Left.

    Anti-nationalism and anti-war mobilization in Greece 1912-1925: the impact of the Russian revolution and the emergence of communist politicsNikos PotamianosUniversity of Thessaly
  • In this paper, I will explore the impact of the Russian Revolution on the Spanish agitations of 1917-20, the so-called Trienio Bolchevista (Three Bolshevik Years). I will focus in particular on the anarcho-syndicalist CNT, National Confederation of Labour, and how it grappled with the reverberations of the Russian Revolution. I will explore how the changing ways in which the Spanish anarchists perceived and related to the Russian Revolution, grounding these visions and interactions in the process of revolution and counterrevolution that swept Spain, and much of Europe, in 1917-1922. After the fall of the Tsar, revolutionary euphoria swept through Spain. Russia became the beacon flare for the Spanish labour movement at a time of intense social strife. The CNT became the harbinger of all this enthusiasm; in the years 1917-20, it would capitalise upon this post-war revolutionary effervescence that saw particularly violent instances of social warfare, including peasant uprisings in the rural south, barricade fighting in the cities, wildcat strikes, and army mutinies. In this juncture of intense social agitation the Russian Revolution proved irresistible for a significant sector of the CNT – leading anarchist Manuel Buenacasa later explained that, for most Spanish anarchists, the Russian communist was a "demigod", and admitted that "we behaved like real Bolsheviks". The organisation affiliated to the Third International and its trade union front, the Profintern, sending several delegations to Moscow. It also began to make ideological concessions to Bolshevism, endorsing in its Second Congress in 1919 the concept of the dictatorship of the proletariat. The infatuation with the Bolsheviks took place at a time of intense optimism for the radical Left in Spain and in the rest of Europe, when similar revolutionary movements were taking place. This enthusiasm obscured ideological discrepancies and facilitated a rapprochement between anarchism and the revolutionary Marxism of the Bolsheviks. However, the sharp downturn for the Spanish labour movement after 1920, with the defeat of decisive strikes and an intensification of repression, saw a rapid change in the mood of the CNT towards the Russian Revolution. This downturn sowed demoralisation, confusion, and bitterness. The defeats at home were concatenated with the ever-more apparent authoritarian tendencies in the Soviet Union, and with the doctrinaire turn of the Third International, where the Russian communists began to acquire increasing ascendancy. In this context of demoralisation, the bulk of the CNT recoiled to traditional anarchist and syndicalist positions and split from the Third International in 1922.

    "We behaved like real Bolsheviks": The Spanish CNT and the Russian Revolution, 1917-1924Arturo Zoffmann RodriguezEuropean University Institute

Ecos Latino-Americanos / Latin-American Echoes [moderação: Francisco Bairrão]

  • Painel 14
  • La crisis de 1929 iniciada en Estados Unidos, la cual sacudió sistema capitalista, dio fuertes esperanzas dentro del comunismo mundial ante la posibilidad de una ola revolucionaria que desbordara a nivel mundial. En México, pese a ser una economía con fuerte dependencia a Estados Unidos que se reflejó en la disminución de las exportaciones de minerales y la producción de manufacturas, la tasa de desempleo no fue considerable con respecto a otros países de América Latina, los actos de saqueo, pillaje y suicidio fueron menores y finalmente no hubo un retorno masivo de mexicanos que trabajaban en Estados Unidos. Aun así, hubo situaciones de tensión en México, sobre todo en el desarrollo de huelgas en fábricas, la toma de tierras y las marchas de hambre, que el Partido Comunista de México (PCM) las denominó como "movilización frecuente pero fragmentaria". Ante este panorama, el PCM pese a estar en la clandestinidad y represión no evitó, con menores recursos, su participación de luchas sociales. Muestra de ello, fue la organización de huelgas entre mineros, petroleros y ferrocarrileros. Asimismo, entre el campesinado, en especial entre los trabajadores agrícolas, jornaleros y peones, los cuales estuvieron ubicados en las regiones de mayor producción agrícola del país, no sólo para exigir mejoras en las condiciones laborales, sino el reparto total de las tierras de las grandes haciendas. De tal forma la presente comunicación hará especial énfasis a las actividades de propaganda que hicieron los comunistas en el ámbito rural. Se elige este entorno no sólo porque en ese momento histórico el 80% de la población en México vivía en el campo, sino también por el retraso de la autoridades federales para poner en marcha el reparto agrario en varias regiones del país, lo cual dio pie a una masiva violencia entre terratenientes y campesinos. El objetivo no es señalar que las ideas impresas en la propaganda del Partido Comunista de México hayan tenido un efecto automático en el levantamiento de jornaleros, sino al contrario describir los medios y las condiciones en que se desarrollaron aquellas. De tal forma la presente exposición se desarrollara de la siguiente manera. Primero, es desglosar el contenido de la propaganda que fue confiscada por las autoridades, como fueron folletos, carteles y periódicos. Este acercamiento permitirá comprender las expectativas que se estaban generando en la dirigencia comunista en torno a la situación económica a nivel mundial, y cómo esta afectaba en la movilización del proletariado mexicano. Ligado con el anterior, el segundo punto, es describir las condiciones sociales y políticas que permitieron la proliferación de círculos comunistas en zonas rurales de México, destacándose las redes que se conformaron entre obreros, campesinos, extranjeros y maestros. A partir de esto busca se reconocer como se distribuyó la propaganda entre una población analfabeta y para ello estas redes comunistas recurrieron al uso de otros medios como los mítines, las reuniones sindicales y las clases escolares.

    Entre la clandestinidad y la Gran Depresión: actividades de propaganda comunista en México, 1929-1934Edgar Hernández EspinozaUniversidad Autónoma Metropolitana
  • Echoes of the Russian Revolution in the Brazilian PressIamara Silva AndradeUniversidade Federal do Rio Grande do Sul
  • Tanto la Revolución de Octubre como el complejo y convulsionado proceso de construcción de una sociedad en oposición al capitalismo impactan fuertemente en los partidos socialistas del mundo entero. En la Argentina, el Partido Socialista (PS), el más importante de Sudamérica y con una activa representación parlamentaria, también se ve sacudido fuertemente por los acontecimientos que se van desarrollando en Rusia. Desde 1914 el PS, si bien pertenece a un país neutral, se va involucrando en la Gran Guerra simpatizando, principalmente los miembros de la dirección, con los Aliados. Esta postura genera la reacción de una parte de los militantes de base que sostienen una postura pacifista de no alineamiento. La tensión se resuelve con una fractura y la aparición del Partido Socialista Internacional. Fidelidad a los Aliados y pacificismo radical perfilarán en 1917 las futuras diferentes posturas a seguir frente a la Revolución Rusia. La posterior conformación del Partido Comunista de la Argentina convertirá a esta organización en el guardián de la defensa de la URSS pero también en una usina de información de aquello que acontece en el país de los soviets y en el Komintern. En mi ponencia procuro abordar una dimensión menos estudiada: las diversas interpretaciones de la realidad soviética que se van delineando en el PS de la Argentina en los años de entreguerras. Tras la condena inicial de la Revolución irán surgiendo un abanico de lecturas que, al tiempo que critican la vulneración de la libertad, se interesan por resaltar, muchas veces positivamente, aspectos fragmentarios del nuevo régimen como son: la planificación económica, los problemas de la industrialización socialista, la representación política, los cambios en la sociedad y la política exterior de la URSS. Esas diferencias interpretativas generarán debates y contribuyen a delinear posicionamientos políticos internos que anticipan posturas favorables a un posible frente popular en la década siguiente.

    Lecturas de la Revolución en Rusia e itinerarios políticos en el socialismo argentino de los años 20: interpretaciones, intelectuales y coyunturasPatrício GeliUNTREF/UBA

Cinemateca Portuguesa

18h30

O conteúdo da forma: política cultural e arte soviética / The content of the form: cultural politics and soviet art [moderação: Manuel Deniz]

  • Irene AparícioIFIL- NOVA FCSH
  • Mário Vieira de CarvalhoCESEM - NOVA FCSH
  • Luís TrindadeIHC- NOVA FCSH

Sábado - 4 de Novembro

Auditório 1

Sala Multiusos 2

11h00-13h00

O poder soviético e a questão da terra / Soviet power and the land question [moderação: Elisa Lopes da Silva]

  • Painel 15
  • Fernando Oliveira BaptistaISA - UL
  • Constantino PiçarraIHC-NOVA FCSH

Trabalho, alienação e planificação na Rússia soviética / Labour, alienation and planification in Soviet Russia [moderação: Fernando Rosas]

  • Painel 16
  • Francisco LouçãISEG - UL
  • João RodriguesCES/UC
14h00-16h00

Do feminismo de Kollontai ao movimento queer / From Kollontai's feminism to the Queer Movement [moderação: Rita Lucas Narra]

  • Painel 17
  • Andrea PenicheCES/UC
  • Tiago RibeiroCES/UC
  • Inês BrasãoIPL, IHC-NOVA FCSH

Crises, revolução, contra-revolução: passado e presente / Crisis, revolution, counterrevolution: past and present [moderação: Pedro Aires Oliveira]

  • Painel 18
  • Cecília HonórioCHAM - NOVA FCSH
  • Manuel LoffUniversidade do Porto
  • Fernando RosasIHC - NOVA FCSH
16h30

  • Painel 19
  • Communism in a tragic key [moderação: Ricardo Noronha]Alberto ToscanoGoldsmiths, University of London



Organização: IHC - NOVA FCSH e Cultra. Cooperativa Culturas do Trabalho e Socialismo